As sopas da Rosário são de lágrimas,
as minhas de burro cansado
de a ver chorar
É mágico o poder do falo: transforma as ideias e os corpos; um santo graal que tudo justifica como Verdade e, ainda uma imagem metafísica mais que incógnita.
Alguns procuram-no incessantemente como a um troféu, ao passo que outros, ao encontrá-lo, rasgam-se e enforçam-se com medos e preconceitos.
O falo ainda é algo mágico, algo que, como naturalmente natural, sempre que é mostrado provoca tensões. Um super herói ainda duro como um menir que se tenta ao céu e lá por vezes chega.
A aguentar as intempéries de qualquer estado do tempo, o falo ainda existe.
Nas mãos viu o vazio
ao ler as linhas do amor e das vidas cada vez mais pequenas.
Pertencia às escolhidas para ser vivente de uma vida sem amor,
ou de amar abrasivamente, pelas esquinas dos dias, sem viver.
Como uma em cada mulher de cada família, de todas as famílias,
é uma mulher sem amor ou dos mortos. Tocou-lhe a si.
Sabia-o pelas mãos pequenas que pegaram do mofo uma fotografia. Olhava a fotografia.
Os tios e as tias numa idade de saltos altos misturavam-se numa mancha única como com as duas árvores e a sé por trás.
Uma imagem borrada de negro, aqui e acolá aclarada pela pouca luz do passado.
Olhava a fotografia e via o relógio da torre sineira, da torre de uma fé que já não reza, que parou, que perdeu os ponteiros.
No centro, bem no meio da imagem a sua pequenez, ela.
Ela menina de vestido longo sem quaisquer folhos de alegria perdida numa névoa negra prestes a cair.
Bastar-lhe-ia um sopro para que se fizesse mais perdida que o tempo.
Uma imagem perdida num dia sem horas, uma imagem moída onde os rostos dos tios e das tias e dos ponteiros fugiram dela,
uma imagem que lhe revelou uma mulher sem amor e sem vida.
No meio, bem no centro, sozinha de rosto nitidamente caído num vestido sem folhos nem flores de menina,
sozinha mesmo no dia em que engoliu pela primeira vez o corpo de cristo.
Sozinha menina olhava a fotografia e perdia-se sufocada no negro dorido da fotografia que lhe ia apagando as mãos.
Esfregavam-se há horas.
Entre as virilhas, nos cabelos, entre os dedos e nas gangas das pernas rebentavam de loucura.
Ambos em cada abraço apertado, à luz de um candeeiro manhoso, cuspiam um fogo mais luminoso que o fogo preso dos arraiais.
Sem que por qualquer momento lhe tirasse a mão das costas, que o empurrava para cima, tapou com o cabelo os olhos para que ele não a visse a prestar serviço comunitário.
Ludibriante, igual às mulheres dos calendários, ela fazia fintas de paixão. Fintava a presa como as rateiras viúvas negras.
Dançava ali achatada sob o peso horizontal do homem, trincava-lhe os ombros e o queixo, beijava-lhe a ponta do nariz e os lábios, dizia-lhe palavras obscenas como nos diários de Bianca enquanto o controlava nas estocadas e no ritmo. Por baixo de si o colchão sujo e encovado de muitos meses. A tirana sorria de olhos fechados àquele cobertor peludo de 83 quilos enquanto amassava violentamente o colchão. Com os joelhos, uma perna e mais outra, fazia as calças dele deslizar do corpo.
A respiração acelerava, os moncos do nariz dele pendiam gordos a prometer uma queda a qualquer momento sobre a maquilhagem Cibelle dela. Já e prazo de se babar, o cavalo abriu os olhos, afastou-lhe o cabelo do rosto com uma arfada, viu-lhe os olhos e arrepiou-se em contracções. Colou-se com toda a força no corpo dela, esperneou em chicote e disse-lhe que a amava.
Desbravaram o terreno, escavaram o monte.
No lugar dos pinheiros os camiões e o pó eram sempre presentes pelos dias e pelas noites.
Cada dia, naquele monte a casa crescia desvairada. Decomposta naquele lugar uma casa grande de paredes altas, a casa dos pinheiros desaparecidos.
Um valado florido, uma oliveira, uma escadaria brilhante, uma casa.
Os camiões iam embora, o pó assentava e os peregrinos dos sofás, das cadeiras e camas, das loiças e talheres, das roupas e das grandes pinturas entravam na casa feita, faziam-na maior, destemida. Nasciam portões, isolava-se. A relva em rolo desenrolava-se, a oliveira deu meia dúzia de azeitonas. Uma casa grande. Na casa dos pinheiros desaparecidos vivia gente que não imaginava que ano depois de anos corridos a tinta descascava, a oliveira iria secar e novos peregrinos apareceriam para recolher sofás gastos, velhas roupas encardidas, loiça em cacos, fogões e frigoríficos enferrujados, enquanto que, pelas telhas o soalho ia sendo regado. A cozinha seria negra, o corredor largo tornar-se-ia estreito e manchado por décadas de apalpadelas de gordura trazidas pelas mãos dos velhos guiar-nos-á à sala, a uma sala sem tecto, de soalho podre e fértil pela decomposição dos habitantes lá mortos. Ali na sala nascerá um pequeno pinheiro e deste outros grandes pinheiros mais largos, de novo um monte, um monte.



Passo já a informar que este post é a dois. As duas pessoas que nele contribuíram nem se conheceram pessoalmente, porém, certamente o achariam interessante na sua publicação. Vejamos. Um padre, um padre afirma que o pecado inicia quando damos a conhecer o prazer ao corpo. O princípio, do principio, é na infância, pelos rebuçados, depois "vêm os ovos com chouriço e depois as meninas decompostas pelas mini-saias". Ora foda-se, se assim progredimos na escala do pecado, o que será que acontece se a isto juntarmos os 3 estádios freudianos, (prazer em sugar, de defecar, e de friccionar os genitais), que acontecem desde os primeiro dias de vida? Estamos perdidos logo desde pequenos. No entanto, acrescente-se que, quem em pequeno aprender a arte de bem sugar, a arte de devidamente defecar e sobretudo de se auto-friccionar acrescida à teoria do padre na prova dos rebuçados será o mais belo contemplado pelos verdadeiros sabores do prazer.

