06/10/09
Senhora, é quase inverno;
são horas de se por a pé,
de tirar dos pés as meias borbotadas e
enxutar água abaixo, num banho, as ideias piolhentas.
Depois, aqueça as coxas uma com a outra,
raspe as costas com uma manta bem rija e
limpe as remelas que a cegam.
Permita-me senhora:
antes que a época das chuvas chegue e a mele em lama,
passeie pelas ruas secas enquanto é tempo.
É quase inverno senhora; por si temo.
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28/09/09
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Na minha mesa de cabeceira tenho cinco garrafas de cerveja vazias.
A pintora veio cá dormir a casa.
Dormiu bebida pelo fermento da cerveja e nos embalos dos meus braços.
Já acordou, nem sequer me sorriu.
Nos seus sapatos rasos enfiou, em bico, os pés.
Na mão direita uma mala castanha que chocalhava. Uma mala bem presa pelos dedos pontiaguados, de unhas gastas iguais às das galinhas solteiras.
Voltou à mesa de cabeceira, organizou-a, guardou as tampas das bebidas e correu ansiosa. Espalhava o resto do sono e um chocalho com jeitos de guizo.
A pintora já não pinta, colecciona galos de Barcelos e faz-lhes chapéus com cápsulas de super bock.
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27/07/09
As pessoas más estendem-se pelo chão.
Pela raça do corpo dorido e de pele seca que escama e se desintegra,
tornam-se falsas fadas, magos rudes, invisíveis ratoeiras nas grandes florestas.
As pessoas más espalham-se pelo chão, e juntas, procriam ervas daninhas que impedem os nossos caminhos.
19/07/09
14/07/09
Ainda me fervilham as axilas pelo sal das marés da Beira.
Sorria do teu bailado circense enquanto berravas o nosso nome,
Gritavas: " para sempre um poema azul"
e desaparecias nos flocos brancos da água partida.
Os faróis egoistas acendiam-se e procuravam o nosso amor. Como te rias disso.
Fizeste com que todos os barcos levassem e trouxessem o nosso nome na proa.
Lembras-te? "Poema azul", foste tu quem escolheu.
Nós nos barcos, nós pelas marés rebentadas.
Sonhavamos que éramos mais que nós em cada rasto de espuma na água,
que éramos barcos e fragatas inteiras em arraiais e em folia.
Com a certeza que nos encontraremos em sorrisos no resto que nos resta,
revelo o mar e as marés do nosso poema.
Hoje espero que a maré suba, que me fuce os pés e dê sinal que me esperas.
Catarei todas as vagas por este mar a dentro até que a carne arrefeça
e para longe faça bulir o que agora é só memória.
24/06/09
Esfregavam-se há horas.
Entre as virilhas, nos cabelos, entre os dedos e nas gangas das pernas rebentavam de loucura.
Ambos em cada abraço apertado, à luz de um candeeiro manhoso, cuspiam um fogo mais luminoso que o fogo preso dos arraiais.
Sem que por qualquer momento lhe tirasse a mão das costas, que o empurrava para cima, tapou com o cabelo os olhos para que ele não a visse a prestar serviço comunitário.
Ludibriante, igual às mulheres dos calendários, ela fazia fintas de paixão. Fintava a presa como as rateiras viúvas negras.
Dançava ali achatada sob o peso horizontal do homem, trincava-lhe os ombros e o queixo, beijava-lhe a ponta do nariz e os lábios, dizia-lhe palavras obscenas como nos diários de Bianca enquanto o controlava nas estocadas e no ritmo. Por baixo de si o colchão sujo e encovado de muitos meses. A tirana sorria de olhos fechados àquele cobertor peludo de 83 quilos enquanto amassava violentamente o colchão. Com os joelhos, uma perna e mais outra, fazia as calças dele deslizar do corpo.
A respiração acelerava, os moncos do nariz dele pendiam gordos a prometer uma queda a qualquer momento sobre a maquilhagem Cibelle dela. Já e prazo de se babar, o cavalo abriu os olhos, afastou-lhe o cabelo do rosto com uma arfada, viu-lhe os olhos e arrepiou-se em contracções. Colou-se com toda a força no corpo dela, esperneou em chicote e disse-lhe que a amava.
16/06/09
10/06/09
Desbravaram o terreno, escavaram o monte.
No lugar dos pinheiros os camiões e o pó eram sempre presentes pelos dias e pelas noites.
Cada dia, naquele monte a casa crescia desvairada. Decomposta naquele lugar uma casa grande de paredes altas, a casa dos pinheiros desaparecidos.
Um valado florido, uma oliveira, uma escadaria brilhante, uma casa.
Os camiões iam embora, o pó assentava e os peregrinos dos sofás, das cadeiras e camas, das loiças e talheres, das roupas e das grandes pinturas entravam na casa feita, faziam-na maior, destemida. Nasciam portões, isolava-se. A relva em rolo desenrolava-se, a oliveira deu meia dúzia de azeitonas. Uma casa grande. Na casa dos pinheiros desaparecidos vivia gente que não imaginava que ano depois de anos corridos a tinta descascava, a oliveira iria secar e novos peregrinos apareceriam para recolher sofás gastos, velhas roupas encardidas, loiça em cacos, fogões e frigoríficos enferrujados, enquanto que, pelas telhas o soalho ia sendo regado. A cozinha seria negra, o corredor largo tornar-se-ia estreito e manchado por décadas de apalpadelas de gordura trazidas pelas mãos dos velhos guiar-nos-á à sala, a uma sala sem tecto, de soalho podre e fértil pela decomposição dos habitantes lá mortos. Ali na sala nascerá um pequeno pinheiro e deste outros grandes pinheiros mais largos, de novo um monte, um monte.
27/04/09
mostrar-se enfeitada de contos e histórias pequenas.
Ontem abriu a janela nua dos capítulos roucos que a mascaravam
para que lhe descobrisse quão mortal também era.
Rendeu-se à verdade dos prantos falecidos dos poemas mais tristes
e deixou-se cair sombra nos braços mudos da morte.
Disse ainda adeus ao abandonar-se das capas rijas
dos livros das histórias pequenas mais compridas,
enviou um beijo aos muitos que do terreiro a viam,
deslizou,
serpenteou pelo parapeito a dentro,
para lá da janela, desapareceu.
...
Nas folhas, em branco dos livros, plantar-se-á clara
para que nas noites mais calmas e nas pausas das leituras
todos se lembrem dela.
21/04/09
Só me falas agora dos sapatos novos que te deram,
das línguas estrangeiras, das fotografias e dos postais,
das loucuras do rapaz que pela noite dentro te saturaram
e da responsabilidade estragada de quem se esquece de ti.
10/04/09
09/04/09
08/04/09
02/04/09
30/03/09

26/03/09
24/03/09
22/03/09
20/03/09
19/03/09
17/03/09
16/03/09

12/03/09

11/03/09

preciso urgentemente de um presente.
09/03/09
08/03/09
Quem sabe o segundo semestre consegue dissolver este desespero, o que não me parece. As assembleias hoje só servem para receber manifestações nos seus átrios, fazerem acreditar o povo que lá dentro não existe ninguém e que todos os dias são fins de semana.
A Dona Helena, empregada na assembleia da república portuguesa, com um cargo de responsabilidade médio, diz não conhecer o desempenho no trabalho dos políticos.
Que caralho. Ora se, uma funcionária presente diariamente aos srs presidentes, diplomatas e sem diploma faz vénias e sorrisos custosos não consegue ter acesso a qualquer desempenho trabalhistico da política portuguesa, como poderá avaliar estes senhores e senhoras se só abrem a boca quando se encontram nas orgias parlamentares camufladas de metáforas e intrigas pessoais até aos seus dentes.
Segundo a Dona Helena "só oiço gemidos". Pobre mulher. Avaliadora por natureza, nem consegue entender uma palavra sequer do que por lá se diz, "todos rugem e chiam". Já não falam.
Receiam serem avaliados no seu desempenho por uma ou outra qualquer plebeia sabedora das realidades da vida deste país à beira mar plantado e do bem pago que é ser por não se fazer nenhum enquanto cortam e riscam com um lapinhos azul pequenino. Já ninguém rega o que se plantou. O que se quer e tem é mato e ervas daninhas.
Caros manifestantes dos átrios das assembleias, entrem para lá do átrio, as assembleias são nossas e não das repúblicas, recrutem a Dona Helena e façam dela a vossa bandeira.
Acreditem que não ficará vermelha de vergonha nem verde de raiva. É uma senhora. Como a própria diz, "as senhoras e os senhores de hoje já não são coloridas". Até a bandeira se entristece: as cores desmaiaram, já estão secas por falta de rega.
03/03/09
28/02/09
27/02/09
26/02/09
25/02/09

24/02/09
23/02/09
Passo já a informar que este post é a dois. As duas pessoas que nele contribuíram nem se conheceram pessoalmente, porém, certamente o achariam interessante na sua publicação. Vejamos. Um padre, um padre afirma que o pecado inicia quando damos a conhecer o prazer ao corpo. O princípio, do principio, é na infância, pelos rebuçados, depois "vêm os ovos com chouriço e depois as meninas decompostas pelas mini-saias". Ora foda-se, se assim progredimos na escala do pecado, o que será que acontece se a isto juntarmos os 3 estádios freudianos, (prazer em sugar, de defecar, e de friccionar os genitais), que acontecem desde os primeiro dias de vida? Estamos perdidos logo desde pequenos. No entanto, acrescente-se que, quem em pequeno aprender a arte de bem sugar, a arte de devidamente defecar e sobretudo de se auto-friccionar acrescida à teoria do padre na prova dos rebuçados será o mais belo contemplado pelos verdadeiros sabores do prazer.
21/02/09
Querem que vos traga alguma prenda? Prometo embrulhos originais e um brinde com champanhe.
Um aparte 1 - Isto do champanhe parece coisa maricola, no entanto, apesar de não ser uma bebida por mim muito apreciada, para o brinde não haverá certamente refresco mais indicado. Minto?
Um aparte 2 - Gosto das taças, das taças largas e baixinhas onde eram servidos os espumantes na altura da minha infância. Lembram-se delas, certamente! Expirimentem e avaliem a diferença do mesmo champagne servido numa flute ou numa taça. Quem sai vencedor? E não me venham os enólogos dizer que a flute é mais apropriada, dado que, a altura e a largura do corpo do "copo" são as mais necessárias características para catalizar os aromas, as notas da serra e das raizes, tal como, o refinado borbulhar.
Viva a taça que, até pelo som mais aberto e menos manhoso do seu brinde, ganha à flute.
champagne, champagne for everyone
onde chegamos, pessoas como eu, pessoas que em absoluto não entendem nada sobre regras de política camuflada, a discursar e a levantar questões que até hoje só foram feitas em teses de Pós- Doc.
chiça, ainda a procissão não saiu da capelinha e já estamos fartos dos santos e dos seus andores.
19/02/09
18/02/09
16/02/09

já que não me quero constipar novamente, quero uma destas.
15/02/09
13/02/09
11/02/09


uma queda livre;
do fotografo francês Denis Darzacq 2005/6 que já ganho o world Press photo em 2007. Olé
Nao dá para ver, mas ao que parece estes gajos nus, são do melhor que há; têm penas.
bombócas, bombócas para toda a gente
10/02/09

09/02/09
08/02/09
orgasmos e champagne for everyone.
Ainda bem que te lembraste. Gostei muito.
"O presente: Uma dimensão infinita" catálogo BESart.
Porque é que não tenho um grande mastro para dele tirar o meu anel peniano e oferecer-to como pulseira?
03/02/09
02/02/09
01/02/09


champagne. champagne for everyone.
*qualquer desrespeito ao conteúdo do programa dever-se-á à descrição que me foi feita.

31/01/09
sei que deveria fazer uma análise crítica à peça, uma espécie de ensaio num parágrafo a esta obra. mas, ninguém a lia. e porque é sábado estamos de fim de semana.
insert the coin

queres mesmo ser muito meu amigo/a
que tal cá chegares com este consolo?
"janet" de Julião Sarmento
até o justin timberlake tentou.

