Estendia-se feminina na quase maior cadeira de todas as cadeiras do castelo.
Estava morta na sala onde havia uma outra mulher que estava morta noutra cadeira ainda maior.
Como todas as mulheres mortas, aquelas eram belas e femininas. Mais belas ainda.
Ocupavam a sala, as mulheres, desde os pianos até às janelas estreitas
O sol dourado, vindo delas cravava-se na pele fazendo-as estendidas em brilho.
As mulheres mortas serão sempre mulheres maiores, como as salas vazias
não precisam de cadeiras altas, e largas, e tronos, e de gente a cirandar.
Querem-se sempre grandes em maiores ares.
Na sala da música eram duas mulheres e muitas cadeiras.
Estendiam-se gordas de beleza pelas franjas dos vestidos.
Eram rainhas mortas, mulheres maiores,
como os pianos pretos depois do concerto das suas vidas.
8 comentários:
Foda-se, desculpe o palavrão, mas isto está mesmo muito bom.
belissimo ...
:) simplesmente delicioso...
um beijo, vivo, morno, sorriso... :)
Palavras para quê? É português...
PARABÉNS
Adorei. Parabéns!
e,
F
e
l
i
z
d_____i_____a
d
a
M__________Ã__________E
hoje e sempre.
íssimo.
A morte é um fantasma luzente que nos persegue a vida, desde o momento em que damos conta da nossa efemeridade.
As mulheres povoam, mesmo depois de mortas,o imaginário dos homens, numa beleza gótica, pela grandeza dos seus actos...só porque vivem com alma!
Inês de Castro também foi rainha, depois de morta.
Belo texto, exótico pela sua magia surreal!!!!!
Abraço
Meg
http://bichaneca.blogspot.com
xi.. fiquei aqui tanto tempo
:)
bem vinda sandra:)
bifidusativus,
amo!
Enviar um comentário