16/11/10

Tenho-me sempre a pensar no espaço que existe entre um chapéu e uma cabeça. Nesse sempre, aparece-me à ideia o rapaz mais estranho que alguma vez conheci. Um rapaz enviesado de olhar agudo que nasce em todas as ruas, nas janelas, nas esplanadas e nos bancos de jardim, sai dos jornais e das figuras dos autocarros. Um rapaz que desagua na praia e que, às escondidas, besunta os lábios como se preparasse a boca a um estudado ataque de fera. Não suporto o mistério das suas aparições entre um chapéu e uma cabeça.

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